Turma do Maternal, 2017 – Professoras Mariana Silva da Silva e Fernanda Brum Collares – Alunos de 2 a 4 anos

Nosso projeto “De onde vêm os bebês?” nasceu nas brincadeiras das crianças e também da curiosidade deles sobre a gravidez da profe K.R., queriam saber tudo sobre o bebê na barriga dela… Quando percebemos estas conversas sobre a barriga da profe dominavam nossas conversas, os questionamentos e a curiosidade se faziam presentes o tempo todo… nos fascinava assistir que no mesmo momento que algumas crianças perguntavam, outras já tentavam dar as respostas.

Nós?… apenas acompanhávamos, instigando mais perguntas, sem oferecer respostas prontas.

Tem bebê na barriga da profe Kamyla, é o A. ? (J.K. 2,5 anos)

Ele toma banho aí dentro ? E cadê a outra mãozinha dele ? (B.S. 3,8 anos)

O bebê chora aí dentro ? Acho que não tô ouvindo (L.M. 4 anos)

Tem leite na “teta” ? Já tem leite ? (V.B. 2,3 anos)

Ele toma leite, mas não é aquele do super. (C.R. 4 anos)

Eu não tenho bebê na barriga. (R.A.3  anos)

Não V., os meninos não podem ter bebês. Porque são machos. (C.R. 4 anos)

Tenho um bebê na minha casa, ele saiu da barriga da mamãe. ( L.K. 2,9 anos)

A barriga cresce e pow, estoura! Depois o bebê nasce e ela fica pequena. (L.M. 4 anos)

Será que ele fica sentado ? (B.S. 3,8 anos)

Porque ele fica deitado ? (E.F. 3,4 anos)

A barriga da mãe ficou grande. (L.K. 2,3 anos)

Como se chama o bebê na barriga ? Grávida ? (L.M. 4 anos)

Quando ele sai pela barriga dói, porque corta. (L.M. 4 anos)

Eles nascem da barriga e da perereca. (A.P. 3,4 anos e L.M. 4 anos)

Vai sair pela barriga teu nenê ? (N.S. 3,11 anos)

O que ele come ? (B.C.  3,10 anos)

Certo dia, a profe M.S. foi surpreendida por uma nova brincadeira, criada espontaneamente pelas crianças. Estavam brincando de Parto, isto mesmo, a cena era:

“Uma mamãe grávida deitada em uma maca improvisada, com uma boneca dentro de sua roupa, o futuro papai segurava sua mão e dava beijinhos na testa, enquanto do médico conduzia o parto, dizendo que era para fazer força…!”

Eles queriam saber como é dentro da barriga e sobre a gravidez

Começamos criando na sala um mural com as fotos dos barrigões das mamães, foi o máximo! Os pequenos ficaram orgulhoso e qualquer pessoa que entrava na sala era convidada para apreciar as fotografias e já recebia um breve do que estava acontecendo na turma do Maternal.

Fomos ilustrando a sala com imagens de fetos no útero, trazendo livros para que eles pesquisassem e partimos para a primeira representação do que estavam entendendo sobre o EMBRIÃO. Convidamos alguns alunos para modelar com massinha um embrião para ilustrar nosso processo de aprendizagem.

O embrião feito com massinha de modelar, para ilustrar o que as crianças estavam compreendendo.

O embrião se desenvolveu e num piscar de olhos se transformou em um feto, que crescia com o passar dos dias, ele morava em uma redoma que simulava um útero. Os pequenos não se cansavam de observar e tecer comentários sobre seu crescimento. Passamos então a registrar estas observações, medir, a registrar seu crescimento em um gráfico. Comparamos o feto que crescia com elementos da sala e da natureza, começamos a comparação usando uma noz moscada e foi muito legal acompanhar as caras de surpresa!

“A gente ficou desse tamanho na barriga da mamãe ?” (B.S. 3,8 anos)

“Parece o tamanho do brinquedo que eu tenho lá em casa” (B.C.  3,10 anos)

“Depois que a barriga cresce quando ele come muito né profe ?” (L.M. 4 anos)

“Quando ele nascer a gente pode colocar um nome também” (E.F. 3,4 anos)

Acompanhar o crescimento do “bebê do maternal” foi incrível, as crianças espiavam o que estava acontecendo toda hora e levavam papais e mamães para olhar o bebê!

“O nenenzinho já ficou grande, olha aqui” (R.A. 2,11 anos)

 “Profe ele cresceu, e foi bastante dessa vez” (B.S. 3, 10 anos)

Nas nossas rodinhas escutávamos os questionamentos das crianças, queriam saber como os bebes se alimentavam e como era dentro da barriga.  Depois de buscar imagens, usamos e gel para fazer o líquido amniótico que envolve a criança durante a gestação e para mostrar como funciona o cordão umbilical (responsável por garantir nutrição ao feto) utilizando dois tipos de mangueira (larga e estreita), seringa e um pouco de tinta diluída em água. Depois de observar, as crianças puderam manusear e repetiram várias vezes o processo.

Fizemos uma pesquisa sobre a forma como cada um nasceu, se de Parto Normal ou Cesariana. Aqui na turma chamamos Parto Normal de “pela perereca” e Parto Cesária de “pela barriga”, em uma tabela que ficava na porta da sala, as mamães e os papais poderiam marcar e nos contar como foi o nosso parto. Depois a tabela foi transformada em um de um gráfico em formato de pizza, ilustrando a proporção de cada tipo de parto dentro da turma. É, nossos pequenos descobrindo o mundo das estatísticas!

Aproveitamos a última semana da profe K, antes da licença maternidade para observar um pouco mais o que acontece com a barriga ao longo do tempo.

Algumas crianças da turma trouxeram suas ecografias para serem exploradas em nossas rodinhas e a reação foi bem próxima de quando, na mesma semana olharam alguns vídeos na web . Aqui na escola o tablet serve apenas para pesquisar, mostrando que esta é uma ferramenta que traz possibilidades infinitas, quando bem utilizado..

A turma ficou encantada com a forma como os bebês nascem e se desenvolvem dentro da barriga, foram respondendo as próprias perguntas feitas no início, nos mostrando que estamos no caminho certo, possibilitando que eles aprendam que pesquisar é uma aventura, que amplia nosso mundo e abre muitas portas. Temos certeza, que mesmo com tão pouca idade, estas experiências ficarão gravadas na memória de cada um, criando redes, que tornarão as futuras aprendizagem ainda mais ricas.

Chegando no final deste trabalho, desafiamos as famílias na construção individual de uma história infantil, contando o nascimento do aluno. Assim nasceu uma coleção de livros lindos e repletos de significado, onde as crianças trouxeram suas histórias com o sentimento estarem carregando tesouros que dividiriam com os colegas. Nossas rodinhas se tornaram momentos de encantamento, pois as histórias iam sendo contadas a medida que eram trazidas para escola e depois circulou pelas casas dos alunos, trazendo momentos de convivência entre pais e filhos.

Para acompanhar o processo de aprendizado das crianças, utilizamos a representação simbólica, que é nada mais, nada menos que instigar os pequenos a representarem através de símbolos, desenho, pintura, modelagem, narrativas sobre o que aprenderam ao longo do processo.  A arte tem sido uma das ferramentas mais significativas ilustrando nossas aprendizagens. As crianças realizaram desenhos e manusearam massinha de modelar para compor suas construções, assim contaram umas para as outras o que estavam aprendendo e se saíram muito bem.