A Páscoa é em Portugal, assim como no Brasil, é uma época que se caracteriza com a entrega de presentes cheios de simbolismo, sobretudo de natureza alimentar. O Folar, por exemplo, é um desses típicos presentes da páscoa portuguesa.

Era o presente que os padrinhos e madrinhas davam aos seus afilhados na Páscoa para quebrar o período de jejum. O Folar era também a recolha que os padres faziam nas casas dos seus paroquianos durante a visita pascal no Domingo de Páscoa. O Folar assumia-se assim como um elogio à fartura. Sem esquecer, naturalmente, que se trata de uma espécie de pão, elemento básico e estruturante da nossa alimentação.

 A maioria dos estudiosos coloca a origem da palavra «folar» no latim «floralis».  A quem sugira o étimo germânico «flado», que significa «bolo de mel»; e ainda, a quem assinara-lhe como de origem francesa «poularde».

 Definem o folar como sendo um bolo em forma de galhinha pousada sobre um ovo, ou com um ovo em cima. Hoje são raros os casos dos folares que incluem a galinha. O pão, que também é conhecido como bolo, simboliza o ninho, e os ovos a geração de uma nova vida, fertilidade (tal como os coelhos). Deseja-se felicidade e prosperidade a alguém, quando se lhe oferece um folar.

Fonte: http://confrariadobaraodegourmandise.blogspot.com.br/2012/04/o-folar-de-pascoa.html

E toda comida tradicional tem sempre uma boa história para abrilhantar mais a cozinha, no momento do preparo. É a história, por trás das comidas, muitas vezes, o motivo real para o seu preparo – o simbolismo conta muito neste momento. Então, vejamos o que conta a lenda do  folar:

Lenda do Folar da Páscoa

 A lenda do folar da Páscoa é tão antiga que se desconhece a sua data de origem. Reza a lenda que, numa aldeia portuguesa, vivia uma jovem chamada Mariana que tinha como único desejo na vida o de casar cedo. Tanto rezou a Santa Catarina que a sua vontade se realizou e logo lhe surgiram dois pretendentes: um fidalgo rico e um lavrador pobre, ambos jovens e belos. A jovem voltou a pedir ajuda a Santa Catarina para fazer a escolha certa. Enquanto estava concentrada na sua oração, bateu à porta Amaro, o lavrador pobre, a pedir-lhe uma resposta e marcando-lhe como data limite o Domingo de Ramos. Passado pouco tempo, naquele mesmo dia, apareceu o fidalgo a pedir-lhe também uma decisão. Mariana não sabia o que fazer.Chegado o Domingo de Ramos, uma vizinha foi muito aflita avisar Mariana que o fidalgo e o lavrador se tinham encontrado a caminho da sua casa e que, naquele momento, travavam uma luta de morte. Mariana correu até ao lugar onde os dois se defrontavam e foi então que, depois de pedir ajuda a Santa Catarina, Mariana soltou o nome de Amaro, o lavrador pobre.Na véspera do Domingo de Páscoa, Mariana andava atormentada, porque lhe tinham dito que o fidalgo apareceria no dia do casamento para matar Amaro. Mariana rezou a Santa Catarina e a imagem da Santa, ao que parece, sorriu-lhe. No dia seguinte, Mariana foi pôr flores no altar da Santa e, quando chegou a casa, verificou que, em cima da mesa, estava um grande bolo com ovos inteiros, rodeado de flores, as mesmas que Mariana tinha posto no altar. Correu para casa de Amaro, mas encontrou-o no caminho e este contou-lhe que também tinha recebido um bolo semelhante. Pensando ter sido ideia do fidalgo, dirigiram-se a sua casa para lhe agradecer, mas este também tinha recebido o mesmo tipo de bolo. Mariana ficou convencida de que tudo tinha sido obra de Santa Catarina.Inicialmente chamado de folore, o bolo veio, com o tempo, a ficar conhecido como folar e tornou-se numa tradição que celebra a amizade e a reconciliação. Durante as festividades cristãs da Páscoa, o afilhado costumam levar, no Domingo de Ramos, um ramo de violetas à madrinha de batismo e esta, no Domingo de Páscoa, oferece-lhe em retribuição um folar.

Fonte: Lenda do Folar da Páscoa. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2014. [Consult. 2014-04-24].

A turma do jardim em homenagem a esta tradição portuguesa partiu da receita tradicional do Folar e desenvolveu um mini-folar em sua padaria, usando ovos de codorna, no lugar do ovo de galinha.

Receita

Para a massa:
  • 250ml de leite morno
  • 2 colheres (chá) de fermento biológico seco
  • 1 ovo
  • 110g de açúcar
  • 570g de farinha
  • 1 colher (café) de erva-doce em pó
  • 1 colher (café) de canela em pó
  • 100g de manteiga ou margarina amolecida
Para decorar:
  • ovos cozidos em casca de cebola
  • 1 ovo (pincelar)
Preparo:

Cozinhar os ovos em água com cascas castanhas e secas de cebola e sal. Escorrer e reservar.

Na tigela colocar a margarina amolecida, o açúcar, o ovo e bater. Acrescentar a canela e a erva-doce, o fermento e o leite morno. Bater com a colher de pau ou na batedeira. Juntar a farinha. Deixar crescer, tapado com um pano, por 1h e 30min ou até duplicar de volume.

Depois, separar  um pedaço de massa equivalente a uma tangerina, para a decoração. Em uma mesa enfarinhada moldar uma bola com a massa do folar, enrolando os lados para baixo e para dentro, tornando a superfície lisa. Com a mão fazer no centro as covas para os ovos.

Colocar os ovos fazendo pressão para que se enterrem. Dividir a massa, que foi separada para decoração, em número igual ao dos ovos usados e fazer rolinhos em cada porção. Dividir cada rolo a meio e fazer uma cruz em cima de cada ovo. Com o dedo empurrar as extremidades dos rolos, como se estivéssemos a fazer um furo na massa.

Pincelar com o ovo batido e deixar descansar 15min. enquanto o forno aquece. Levar ao forno pré-aquecido, a 180ºC durante 30-35min.

Retirar e deixar esfriar.

Folar Nina